“Se não vaiarem a culpa é deles, não minha. Eu fiz tudo para ser vaiado”.

Eu não sou um apreciador da obra de Nelson Rodrigues. Também não concordo com essa exaltação de sua obra depois de sua morte (como você pode perceber, eu também perdi a chance de vaiá-lo!). Porém, admiro sua capacidade de afirmar suas convicções e não se importar com a oposição daqueles que não o compreendiam ou simplesmente não concordavam com ele.
Uma das coisas que me preocupam, em tempos de tanta superficialidade e valorização do desempenho, é a hipocrisia velada e disfarçada daqueles que escondem suas opiniões atrás de sorrisos de

Hiena (na verdade a Hiena não sorri, ela emite um som que se assemelha ao riso humano). Apesar de discordarem de suas convicções ou de sua visão de mundo (o que eu acho perfeitamente saudável e necessário) agem como se suas palavras fossem um oráculo divino (são cheios de bajulação) e o demonizam em rodas secretas de conversas sussurrantes. Aliás, a palavra hipocrisia deriva do latim e do grego e significava a representação no teatro, dos atores que usavam máscaras, de acordo com o papel que representavam em uma peça. O hipócrita é alguém que oculta à realidade através de uma máscara de aparência.

Esse comportamento se repete nas empresas, entre vizinhos, familiares, nas igrejas, etc. e é praticado segundo as conveniências daqueles que preferem ser agradáveis a serem honestos. Muitas vezes, sustentar o status quo faz com que, de alguma forma, o hipócrita seja beneficiado ou até mesmo aceito. Com esse comportamento, os hipócritas fazem da vida um cenário falando como e sobre o que não são, e se comportam de forma que contradizem o que falam (e vice versa), e são facilmente influenciados, já que, o importante para o hipócrita é ser agradável e não ser sincero. Há pessoas tão acostumadas com a hipocrisia que já se esqueceram de quem realmente são e passam a viver sua falsa imagem com tanta intensidade como se a mentira fosse à realidade.
Quanto a mim, tenho preferido ser eu mesmo. Confesso que não é fácil ser transparente num mundo que valoriza tanto a estética e a performance. Tenho preferido as vaias aos aplausos e resistido duramente aos meus desejos de reconhecimento ou de simplesmente ser aceito. Só eu sei os prejuízos e o preço pago por tentar ser autêntico. Não me importo! Ter a consciência tranquila e o respeito das pessoas mais importantes pra mim é que realmente valem a pena! Quanto à opinião alheia só tenho a dizer que, se você ainda não me vaiou não perca a chance. Prefiro às vaias a bajulação! Foram momentos assim  (às vezes depois do tempo) que eu tive a ajuda de pessoas sinceras que me ajudaram a acertar o alvo e mudar de rota. Agradeço pela coragem e o amor dessas pessoas (algumas anônimas, outras amigas, outras apenas conhecidas) e peço a Deus que me coloque mais como elas em meu caminho. Aos hipócritas resta fazer a oração da piedade!