Hoje, durante o banho, comecei fazer aquelas reflexões filosóficas acerca da vida (eu sei que você também faz isso). Passei a pensar na minha rotina. Tenho um hábito diário (acho que um vício) de assistir os telejornais da manhã, que, salvo raras exceções, semprem oferecem mais do mesmo: violência, escândalos de corrupção, crises e alertas de crises, etc. Já no decorrer do dia, me ocupo com as tarefas das vocações que escolhi (ou fui escolhido, não sei ao certo). Como professor tenho o desafio de ajudar crianças e adolescentes na formação academica e contribuir com sua formação moral (duas tarefas cada vez mais difíceis) e como pastor, tentar suprir as necessidades de um rebanho (tento fazer isso mesmo sendo bivocacionado, não é fácil, acredite!). Ainda acumulo a função de dirigir e dar

aulas em nossos seminários. O tempo que sobra, tento ser pai de uma menina de três anos e um marido prestativo. A vida ainda nos prega surpresas. Enquanto digito esse artigo, um querido amigo está internado entre a vida e a morte; há coisas que preciso resolver das quais não tenho ideia de como fazer;  e assim vai….

    Por conta dessas coisas, já algum tempo, comecei a valorizar as coisas aparentemente inúteis da vida (para muitos) e dar a elas um significado relevante. Um bom exemplo aconteceu no fim de semana. Estava na feira do livro em Osasco e ri muito (como há muito tempo não acontecia) com apresentação de uma companhia de circo que se apresentava no local. Nem levei em conta o fato do palhaço ter sentado em meu colo e fazer suas graças (ainda bem que minha mulher não conseguiu fotografar). Outro deles é rasgar a alma diante de uma partida de futebol.   Minha esposa acha uma perda de tempo e, uma loucura ainda maior me emocionar com intensidade durante os jogos de futebol (ela disse que se me pegar chorando ela vai me bater. Eu disse a ela que se quiser evitar isso que vá dormir mais cedo!). Tento explicar para ela que eu tenho uma vida tão séria que levar a sério coisas frívolas me provoca uma catarse tão benéfica e me mantém saudável para desempenhar as que me cobram responsabilidade.
    Aliás, eu estou ansioso para presenciar um dos principais eventos da história recente do meu time de coração. Ao mesmo tempo que não vejo a hora de começar a partida. Fico apreensivo durante o jogo e, se as coisas não vão bem, começo a trocar impulsivamente de canais e só dou uma espiadinha no jogo para ver se melhorou. Não se engane! Apesar de querer muito assistir a esse jogo, durante o primeiro tempo estarei ocupado dando aulas no seminário e inteiramente concentrado nisso. Houve um tempo em que minha imaturidade me fez ter o coração dividido, hoje em dia sei dar a devida importância a cada circunstância. 
   O emocionante será o dia seguinte. Amanhã é o dia de tirar sarro ou evitar a compania dos “anti”. Nos veiculos de comunicação e nas ruas não vão falar de outra coisa (enquanto as coisas sérias continuam a ocupar a maior parte do nosso tempo) e a “terapia em grupo” vai nos ajudando a suportar os fardos da nossa existência. 
   Bem, enquanto tento saber notícias do amigo no hospital (e orar pela sua recuperação); terminar o almoço para ir para mais uma jornada na escola e, sair correndo para ir a outra cidade dar aulas no seminário vou prendendo o grito no peito que vai explodir esta noite: “VAI CORINTHIANS!!!!!