Por que deixamos de lado a nossa humanidade para criar o esteriótipo daquilo que o status quo estabelece como “padrão”? Ou reagimos da maneira que sabemos que iremos agradar aos outros, nem que, para isso, precisemos ser, fazer, sentir, pensar ou expressar aquilo que os outros esperam e não aquilo que verdadeiramente sentimos. Aliás, usei duas palavras perigosas na mesma frase: pensar e sentir (considerando a intenção de fazer essas coisas de forma autônoma). 
       Confesso que as vezes me sinto “um estranho no ninho”. Tenho pena das pessoas generosas que me emprestam seus ouvidos para minhas divagações e dúvidas (hoje em dia, cada vez mais raras, pois está díficil encontrar pessoas pensando fora da caixa!!!!). Longe de mim acreditar que estou sempre com razão em minhas arrazoadas ou de acreditar ter uma “mente privilegiada”, nada disso! Só sinto que muitos decidiram por acomodar se na mediocridade (mediocridade O processo de banalização que atinge todas as atividades humanas – lazer, trabalho, estudo – promove simultaneamente a mediocrização do sujeito. Segundo um antigo dicionário, medíocre é “mediano, ordinário, insignificante, vulgar, sem mérito…). 

       Sinto falta dos contestadores! Daqueles que são capazes de avaliar o cotidiano e enxergar a possibilidade das coisas serem melhores do que são ou mesmo daqueles que assumem a coragem de denunciar, argumentar, protestar, enfim, dar voz a indivíduos calados pelas circunstâncias que os oprimem ou simplesmente os alienam, ou ainda, discordar cordialmente por não compartilharmos do mesmo ponto de vista. Aproveitando me das palavras de uma dessas pessoas que não se deixou sufocar pela conveniência, o famoso escritor argentino Jorge Luis Borges: “Já os pobres de espírito não vão para o Paraíso porque não o compreenderiam”.
          Confesso estar cansado dessa padronização das idéias e dos ideais; da miséria de ter que agradar para ser aceito; ou de precisar me emburrecer ou ser conveniente e/ou conivente com o pensamento dominante, afinal “isso foi sempre assim”. Não quero apenas existir! Quero ajudar a escrever a história! A minha, a dos amigos, daqueles que precisarem da minha ajuda, só não quero sucumbir a esse comportamento de “massa”.