Efésios 5.22 – 33

Tema: Cristo amou a igreja

  • se entregou por ela;
  • a santificou;
  • apresenta gloriosa;
  • alimenta-a e cuida;

Sub–tema: Uma igreja amada responde em amor

  • Sujeitando-se;
  • permanecendo membro desse corpo;

Introdução

Paulo envia uma carta circular, ou seja, a toda a província da Ásia, e a cidade de Éfeso faziam parte dessa região. Manuscritos antigos (Papiro 46,  Códices Sinaticus e Vaticanus, Aleph e B, ainda Marcião, Orígenes e Tertuliano), nos indicam que Paulo ao escrever no v. 1, “Paulo, apóstolo de Cristo Jesus por vontade de Deus, aos santos que vivem ____________________” (Ef 1.1), teria deixado espaço para se colocar o nome da igreja na qual a carta era lida.

E nesta carta circular Paulo desenvolve o tema da igreja como corpo de Cristo. Esse é o assunto principal dessa belíssima carta. E Paulo se considerava indiretamente o “pai espiritual” de todas as igrejas da Ásia (At 19.10; Cl 2.1). E por esse motivo se preocupava excessivamente em dar àquelas igrejas instrução doutrinária e prática.

Epafras havia ido encontrar-se com Paulo na prisão em Roma para buscar orientação quanto a heresia que estava ameaçando a igreja em Colossos. A divindade de Cristo estava sendo atacada. E Paulo mesmo preso se preocupou em instruir as comunidades da Ásia através de uma carta circular, a que temos diante de nós hoje, a carta denominada aos Efésios.

Tiquico e Onésimo já haviam sido encarregados de levar a carta aos Colossenses e a Filemon, Paulo então pediu que também encaminhassem essa carta circular as comunidades e fez isso por meio Fe Tiquico (Ef 6.21-22). Paulo já havia feito isso com outras cartas, 2Corintios 1.1 (cristãos da Acaia) e Colossenses 4.16 (cristãos de Laodicéia).

Por isso através dessa carta circular aos cristãos espelhados pela Ásia queremos nós meditar sobre um importante assunto. (Principalmente hoje em que nós comemoramos 3 anos desse novo templo aqui na Linha 148, Alta Floresta).

Meditemos, pois nas palavras do apostolo Paulo em sua carta denominada aos Efésios, ou cristãos da Ásia, no capítulo 5.22-33, tendo como base o tema: Cristo amou a Igreja.

Desenvolvimento

Cristo amou a Igreja – se entregou por ela

Desde o Antigo Testamento vemos Deus trabalhando e atuando para realizar sua promessa de salvação. Desde a queda em pecado, Deus intervém na história humana para salvar a todos os homens, mulheres e crianças.

Já em Êxodo 24 vemos o relato parecido a uma cerimônia de casamento. É o casamento de Deus com seu povo Israel. E essa união matrimonial foi marcada por dois aspectos: a fidelidade do noivo, Deus; e a infidelidade da noiva, Israel, a igreja. Talvez o livro do A.T. que melhor ilustra isso, é do profeta Oséias. Tanto que em Oséias 11.1 temos a seguinte profecia: “Quando Israel era menino, eu o amei; e do Egito chamei o meu filho”. Deus sempre esteve disposto a reatar os laços rompidos pelo povo, pois segue Oséias em 11.2: “Quanto mais eu os chamava, tanto mais se iam da minha presença; sacrificavam a baalins e queimavam incenso às imagens de escultura”. Mesmo em toda essa situação e tantas outras que não há tempo para relatarmos hoje, temos um povo, uma noiva infiel, mas que mesmo diante da infidelidade, há um noivo extremamente fiel, que de maneira alguma abandonou sua noiva, mas como diz Isaias: “Ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca; como cordeiro foi levado ao matadouro; e, como ovelha muda perante seus tosquiadores, ele não abriu a boca” (Is 53.7), e ainda o próprio Paulo diz aos Filipenses: “…a si mesmo se humilhou, tornado-se obediente até a morte e morte de cruz” (Fp 2.8).

Quando Paulo escreve aos cristãos das congregações da Ásia dizendo: “… como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela” se refere a todo esse amor. Um amor que não abandona, mas que vai até o fim.

O termo “entregou” que é usado pelo apóstolo Paulo é “paredoken” que significa: “entregar nas mãos; entregar alguém à custódia, para ser julgado, condenado, punido, açoitado, atormentado, entregue à morte; dar algo a algém, por-se ao lado”.

E justamente isso foi o que Cristo fez. Entregou-se pela Igreja. Entregou-se por amor a sua noiva.

Cristo amou a Igreja – a santificou

E fazendo tudo isso pela igreja, Cristo então separou sua noiva e a dedicou completamente a Deus. Livrou sua noiva, a igreja de toda a culpa, agora em Cristo: “pois, outrora, éreis trevas, porém, agora, sois luz no Senhor; andai como filhos da luz” (Ef 5.8). A noiva corrompida agora se torna santa através da maravilhosa obra do noivo. O noivo deu a vida, se entregou nas mãos do povo, para resgatar a igreja, o povo. A cabeça do corpo, salvou o corpo inteiro e torna esse corpo, a igreja santa.

Tanto que por isso somos considerados “a comunhão dos santos”. Mas o ser santo não é obra nossa, assim diz Paulo a Tito: “Quando, porém, se manifestou a benignidade de Deus, nosso salvador, e o seu amor para com todos, não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo” (Tt 3.4-5).

Por meio do lavar regenerador e renovador fomos tirados do mundo, morremos para o mundo, e nascemos para Cristo. Agora pertencemos a família de Deus, somos filhos de Deus, amados pelo Pai.

Cristo amou a Igreja – Apresenta-a gloriosa

Cristo, o noivo se entregou pela noiva, santificou e santifica a noiva tudo para apresentá-la em alta honra. A igreja é ilustre e estimada por Cristo. E por isso se entregou por ela, pois através de sua morte na cruz seus pecados foram perdoados, apagados, acabou com sua falta e deformidade moral. Faz isso para não ter sua noiva presa a outras coisas que a afastam-na do noivo. Dedicou-se a sua noiva e se entregou por ela, para tê-la exclusivamente para si, num caráter irrepreensível, onde não se pode acusá-la de nada, por isso as palavras de João em sua 1º carta: “Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis, se, todavia, alguém pecar, temos advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo; e ele é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro” (1Jo 2.1-2).

Assim como no A.T. os cordeiros precisavam ser sem defeito para o sacrifício a Deus, assim foi Cristo pela igreja, tudo para que nós fossemos purificados, limpos e agora honrados por Deus.

Cristo amou a Igreja – Alimenta e dela cuida

A idéia é dar de mamar, nutre com nutrientes preciosos para a vida toda. E cuidar da à idéia de aquecer, manter quente, cuidar com amor terno, cuidar com carinho. Esse é o retrato do amor de Deus pelo seu povo, pela sua igreja. As palavras alimentar, ou seja, dar de mamar e cuidar que é aquecer nos lembra do amor de uma mãe. Dificilmente uma mãe abandona seus filhos, mas vejam o que diz o Senhor Deus ao seu povo e a nós sua igreja, por meio do profeta Isaías: “Acaso, pode uma mulher esquecer-se do filho que ainda mama, de sorte que não se compadeça do filho do seu ventre? Mas ainda que esta viesse a
se esquecer dele, eu, todavia, não me esquecerei de ti” (Is 49.15).

O cuidado de Deus pela sua igreja é imenso, nunca desampara os seus, tanto que Jesus prometeu estar com sua igreja até o fim dos tempos, e ainda, quando Pedro reconhece que a igreja está fundamentada sobre Cristo, Jesus garante que nada, nem mesmo as portas do inferno prevalecerão contra ela.

E todo esse cuidado e amor de Cristo pela sua igreja apenas reforça aquilo que Paulo diz: “A igreja é o corpo de Cristo”. E sendo corpo, ele alimenta, preserva e faz de tudo para que o corpo esteja bem. Cristo deixou ao seu corpo, a igreja, os meios da graça, Palavra, Batismo e Santa Ceia. Meios pelos quais, ele nos presenteia a fé, fortalece, preservam e guardam na fé. Por isso temos na Palavra de Deus, certezas, tais como nos transmite o apóstolo Paulo: “Quando, porém, se manifestou a benignidade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor para com todos, não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo, que ele derramou sobre nós ricamente, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador, a fim de que, justificados por graça, nos tornemos seus herdeiros, segundo a esperança da vida eterna” (Tt 3.4-7); e ainda o proprio Jesus: “Enquanto comiam, tomou Jesus um pão, e, abençoando-o, o partiu, e o deu aos discípulos, dizendo: Tomai, comei; isto é o meu corpo. A seguir, tomou um cálice e, tendo dado graças, o deu aos discípulos, dizendo: Bebei dele todos; porque isto é o meu sangue, o sangue da [nova] aliança, derramado em favor de muitos, para remissão de pecados” (Mt 26.26-28); e ainda o apóstolo Paulo: “Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o aprendeste e que, desde a infância, sabes as sagradas letras, que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus. Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2Tm 3.14-17).
Eis o que cuidado, o carinho e o aquecer de Jesus ainda está presente entre nós. Sim, cada vez que uma criança ou adulto é batizado, quando se ouve a Palavra de Deus e quando se recebe o corpo e o sangue de Cristo.

Cristo amou a igreja e continua a amando, pois dela cuida e alimenta.

Esse é o amor de Cristo para com a igreja, que é o seu corpo. E sendo nós, igreja, corpo de Cristo, fica mais que esclarecido que Cristo é a cabeça da igreja. E como cabeça, é ele quem a dirige e governa. E a direção e o governo que Cristo nos dá, é com todo amor, Cristo amou e ama a Igreja. Nós somos, ainda que pecadores, uma igreja amada por Cristo. Amém!

Ainda não!

Antes do amém, precisamos relembrar outra coisa muito importante.

Uma igreja amada responde em amor – Sujeitando-se

Não poderíamos nos calar antes de dizer que a igreja sabendo que é amada profundamente abre mão de seus direitos ou vontade e se coloca a disposição daquele que lhe ama. Aliás, essa é a idéia do verbo grego “hupotasso” que nós traduzimos como “sujeitando-se” ou “submisso”.

Somos ensinados que como igreja, corpo de Cristo, nos organizamos sob, ou subordinados ao cabeça que é Cristo. Nós temos um lidere, e por esse líder, esse cabeça, o dono do corpo, ter dado a sua vida por nós, igreja, então partimos duma atitude voluntária. Nós não somos capachos, nem obrigados a no submeter a Cristo. Ele fez e faz para que essa submissão seja completa.

E por saber que o cabeça da igreja, Cristo, deu a sua vida pelo corpo, a igreja, então numa atitude voluntária, estamos sujeitos a ele. Vale lembrar as palavras de Davi que após receber o perdão de dois graves pecados disse: “Restitui-me a alegria da tua salvação e sustenta-me com um espírito voluntário” (Sl 51.12). Sim diante de todo o amor de Cristo por nós, diante do perdão da vida e salvação, estamos sujeitos a Cristo, não somos feitos capachos, mas sim inclinados por amor.

Uma igreja amada responde em amor – permanecendo membro desse corpo

Por amor Cristo nos tornou membros do seu corpo, a igreja. Pela fé conhecemos a Deus, pelo evangelho chegamos ao conhecimento de Deus, e assim somos salvos. Assim diz o apóstolo Paulo: “Ora, vós sois corpo de Cristo; e, individualmente, membros desse corpo” (1Co12.27) e sendo assim diz Paulo: “Ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o princípio, o primogênito de entre os mortos, para em todas as coisas ter a primazia, porque aprouve a Deus que, nele, residisse toda a plenitude e que, havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele, reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, quer sobre a terra, quer nos céus. E a vós outros também que, outrora, éreis estranhos e inimigos no entendimento pelas vossas obras malignas, agora, porém, vos reconciliou no corpo da sua carne, mediante a sua morte, para apresentar-vos perante ele santos, inculpáveis e irrepreensíveis, se é que permaneceis na fé, alicerçados e firmes, não vos deixando afastar da esperança do evangelho que ouvistes e que foi pregado a toda criatura debaixo do céu…” (Cl 1.18-23).

Conclusão

Permanecer membro do corpo de Cristo, isso só  é possível por causa do amor de Cristo ainda manifestado pelos meios da graça. Mas sendo eu de natureza pecaminosa, posso me deixar seduzir pela razão a querer abandonar o evangelho que me foi anunciado, assim como os gálatas queriam fazer. Tavez eu me deixa levar por ventos de doutrina falsas, com aparência de corretas.

Permaneçamos pois no corpo de Cristo, tendo como cabeça Cristo, ouvindo sempre a voz de Cristo. Pois semdo membros do corpo de Cristo e sabendo que somos guiados e governados por esse cabeça, que é Cristo, sempre estaremos cercados de amor, cuidado, alimentados e ainda santificados e apresentados diantedo Pai sem nenhuma mancha e dívida. Amém!

Pastor Edson Ronaldo Tressmann – Alto Alegre dos Parecis – RO