No capítulo 21, Jesus fala de dois acontecimentos: A destruição de Jerusalém, que aconteceu no ano 70 a.D, e da sua segunda vinda no dia do juízo final.

Em nosso texto, Jesus fala de alguns sinais que darão início ao grande dia do juízo. Que sinais seriam esses? São sinais incomuns que nunca aconteceram no sol, na lua e nas estrelas. Esses sinais não são aqueles regulares, que de tempos em tempos acontecem, mas são sinais que vão levar as pessoas a desmaiar de terror e de medo. Jesus também aponta para o bramido do mar e das ondas que causará espanto entre as nações. Sem dúvida, aqui poderíamos falar dos maremotos, das tsunamis, que levam as pessoas a sentir muito medo e terror.

O aparecimento desses sinais será tão terrível que os corações dos homens ficarão apavorados, pois os próprios poderes dos céus, que sustentam todo o universo, serão abalados. E então, em meio a estes acontecimentos, todas as pessoas verão o Filho do Homem, o grande Juiz da terra, vindo numa nuvem, com poder e grande glória. Então, o salvador Jesus, tão desprezado e rejeitado, no seu tempo e ainda hoje, será despido de todas as amostras da antiga humilhação, e todas as pessoas se verão forçadas a reconhecê-lo como o Senhor de todos. Esses sinais, que serão para os descrentes, motivo de medo e pavor, para nós cristãos, serão motivo de júbilo e de alegria, porque a nossa salvação se aproxima.

Na seqüência, o salvador Jesus conta a parábola da figueira, com o objetivo de exortar os seus ouvintes à vigilância. Quando a figueira começava a brotar, todos sabiam que o verão estava se aproximando. Assim também, quando começarem a acontecer esses sinais, todos deveriam estar conscientes de que o fim estava próximo.

Jesus termina esse texto, alertando a respeito do perigo da pessoa viver sobrecarregada por causa da orgia, da embriaguez e das preocupações deste mundo. Por que Jesus faz este alerta? Porque uma pessoa que vive assim, pode ser apanhada de surpresa, como um pássaro é apanhado pela armadilha. Por isso, Jesus diz: “Vigiai em todo o tempo para que possais escapar de todas estas coisas e estar de pé na presença do Filho do Homem”. Por isso, baseados nesse texto, queremos meditar sobre o tema: É preciso vigiar.

O que é vigiar? Por que Jesus nos orienta a vigiar nos tempos do fim? Vigiar é estar alerta, atento as orientações que Jesus nos dá na sua palavra, esperar o dia do juízo final de maneira preparada, certos de que esse dia chegará, apesar de nós não sabermos o dia e que ele será definitivo e inadiável.

Estamos nós vigiando, ou será que estamos despreocupados em relação às coisas do fim? Quando nós vivemos despreocupados em relação às coisas do fim? Quando não confiamos na palavra de Deus, e por não confiar na palavra de Deus, não levamos a sério as suas orientações. Por isso, se esta for a nossa situação, quando essas coisas começarem a acontecer, nosso coração desmaiará de pavor e medo.

Estamos nós vigiando, ou será que estamos despreocupados em relação às coisas do fim? Nós não estamos vigiando quando não confiamos que vai haver um fim, quando não confiamos que Jesus vai voltar para julgar os vivos e os mortos com justiça. Qual a conseqüência dessa atitude? Um relaxamento geral na vida cristã.

Como se percebe esse relaxamento, essa falta de seriedade e vigilância na nossa vida? Isso se percebe claramente quando a palavra de Deus não é a prioridade na nossa vida, quando não valorizamos os sacramentos. Pelo fato de não valorizarmos a palavra e os sacramentos, há pouco compromisso e envolvimento de nossa parte no trabalho da Igreja. Na verdade nós nos envolvemos numa série de atividades, mas o reino de Deus é colocado de lado. É exatamente aí que aparecem sempre as desculpas de que não temos tempo, que estamos muito ocupados, que estamos cansados.

Quando nós não fazemos uso da palavra e dos sacramentos, quando não os valorizamos e, em conseqüência, deixamos de nos envolver nos trabalhos da Igreja, somos uma presa fácil para as tentações do diabo, do mundo e da nossa própria carne. Jesus cita três pecados que querem nos dominar e contra os quais precisamos lutar: A embriaguez, a orgia e as preocupações deste mundo.

Quando a pessoa vive embriagada, ela perde o equilíbrio da sua vida e faz coisas prejudiciais, não só para si, mas também para as pessoas a sua volta.

Quando a pessoa vive na imoralidade, ela peca contra o seu próprio corpo e peca contra a vontade de Deus, pois ele quer que fujamos da imoralidade.

Quando a pessoa vive dominada pelas preocupações deste mundo, ela definitivamente deixa de buscar em primeiro lugar o reino de Deus para se ocupar com as coisas do aqui e do agora. Para a vida dessa pessoa, as orientações da palavra de Deus não são importantes. Importante é desfrutar os prazeres pecaminosos deste mundo. Jesus diz que quem vive assim corre o risco de ser apanhado de surpresa e, em conseqüência do seu afastamento de Deus e da sua vida ímpia, sofrerá o castigo eterno.

É preciso vigiar. O salvador Jesus dá essa orientação porque ele quer o nosso bem, aqui e na eternidade. Ao dar-nos essa orientação, ele manifesta o grande amor que tem por nós. Amor que ele manifestou de um modo muito especial, ao entregar-se em sacrifício, sofrendo, morrendo e ressuscitando para nos trazer para um novo relacionamento com Deus, nos dar a certeza do perdão de todos os nossos pecados, uma vida feliz aqui neste mundo e a certeza da vida eterna no céu.

Por causa deste seu grande amor, ele nos deixou meios pelos quais trata conosco: A palavra, o batismo e a santa ceia. Por esses meios ele nos conforta, consola, dá forças e motiva para que levemos a sério as orientações que nos dá, especialmente em relação a necessidade de vigiar, de estar preparados para a sua vinda no dia do juízo final. Para isso, é importante que aproveitemos as oportunidades de ler, ouvir, meditar e estudar a palavra de Deus, de relembrar e atualizar o nosso batismo e de participar sempre da santa ceia. Dessa vida de apego ao evangelho, brotará uma vida de oração diária e contínua, “para que possamos escapar de tudo o que vai acontecer e podermos estar de pé na presença do Filho do Homem”.

É preciso vigiar. O mesmo Jesus que nos ama e exorta a vigilância, também nos capacita para termos uma vida cristã produtiva, comprometida com o seu reino. Deus, em sua graça, nos deu uma igreja recheada de dons. Para que a igreja atinja os seus objetivos de fazer discípulos, de pregar o evangelho a toda a criatura, de ser testemunha até os confins da terra, ele nos dá forças para que cada um se coloque como um servo, que procura servi-lo dentro dos dons que lhe foram concedidos.

É preciso vigiar. O mesmo Jesus que nos exorta a vigilância, também nos fortalece a fé para que tenhamos condições d
e lutar contra as tentações do diabo, do mundo e da nossa carne, não entregando o nosso corpo a embriaguez e as orgias e nem nos deixando dominar pelas preocupações deste mundo, mas buscando em primeiro lugar o reino de Deus, a sua palavra, com a qual teremos forças para resistir às tentações e aguardar a volta de Jesus de cabeça erguida, pois a nossa salvação se aproxima. Que Deus, em sua graça, nos ajude. Amém!

Outros Textos Bíblicos Relacionados: Sl 25.1-10; Jr 33.14-16; 1 Ts 3.9-13; Lc 21.25-36

Pastor Nivaldo Schneider