Um dia desses, assistindo a Tv em pleno horário nobre (coisa rara e difícil pra mim que não tenho tempo), ao zapear o controle remoto me deparei com um televangelista com uma fronha de travesseiro nas mãos e, pedindo que as pessoas fossem a sua “concentração de fé e milagres” deveriam colocar a fronha aos avessos e, depois de uma oração forte, desvirá-la e revestir o travesseiro daquela pessoa que você desejaria que tivesse a situação mudada. Tentei manter a televisão ligada no canal que estava passando esse besteirol, mas, não consegui aguentar.
Em outros tempos, homens sinceramente apaixonados pelo evangelho dariam tudo para ter tal oportunidade de poder alcançar um grande número de pessoas com a mensagem da cruz e poder apresentar o grande amor de Deus. Homens que sempre acreditaram que a tarefa mais importante da Igreja
nesse mundo é anunciar a Jesus Cristo como Senhor e Salvador.
A igreja atual diz que precisa dos grandes veículos de comunicação para pregar o evangelho, faz apelos emocionados para sustentar seus projetos milionários e garante o retorno do investimento dos seus fiéis patrocinadores por “plantarem suas sementes em terra fértil” (eu acho que afirmam isso por causa do “adubo” que saem das suas bocas). Fazem isso afirmando que é para a pregação da mensagem. Mas, qual mensagem? O evangelho contemporâneo da grande mídia vende seus frascos com produtos mágicos que vai de óleo ungido a água consagrada, todos vindos do fantástico mundo de Israel. Esses lobos vorazes se aproveitam do desespero de pessoas que já fizeram de tudo para solucionar os seus problemas e, sem ética e premeditadamente, aviltam seus bolsos e os escravizam suas mentes. Sua mensagem, além de apenas oferecer soluções para os problemas dessa vida, é essencialmente antropocêntrica e de auto  realização. “Negar- se a si mesmo”, “viver de maneira digna do evangelho”, “breve e momentânea tribulação”, “amar a Deus sobre todas as coisas”, etc. são frases que não pertencem a seu vernáculo religioso e não fazem parte de suas mensagens.
Na pregação de seu evangelho apócrifo, esses pregadores têm tanta imaginação e “cara de pau” que vai do bizarro ao cômico. Mas, expõe seus sofismos com tanta convicção que tornam até mesmo os cristãos mais sábios em tolos, que, como o filho que ficou conhecido como pródigo, precisam cair em si para perceberem que a comida da casa do Pai é melhor do que as bolotas que estão lhe sendo oferecidas.
Creio que a televisão (e os outros veículos de comunicação de massa) pode ser uma grande aliada na evangelização e que a igreja pode sim, usá-la como um instrumento de divulgação, instrução, edificação, etc. Que o Reino de Deus e sua Justiça podem ser conhecidos através desse fantástico meio de comunicação. O problema é que pregação hoje é TERAPIA, onde existem 10 pontos para subir na vida, como vencer barreiras…” (as palavras grifadas são do Pr. Aguiar Valvassoura).
No pensamento de outro grande cristão: “Nas profissões, a integridade tem a ver com o invisível:
·         Para os médicos, é a saúde (e não apenas fazer as pessoas se sentirem bem).
·         Para os advogados, é a justiça (e não apenas ajudar as pessoas…)
·         Para os professores, é o aprendizado (e não apenas encher a cabeça dos alunos com informações resumidas para as provas).
·         E, para os pastores, a integridade tem a ver com Deus (e não apenas aliviar as ansiedades, e nem dirigir uma empresa religiosa”. (Eugene Petersom – Um Pastor segundo o coração de Deus – Textus-RJ. P.10).
Apesar dos desmandos e abusos dessa gente, continuo acreditando e, como Paulo, não tenho vergonha do Evangelho, mas dos evangélicos já não posso dizer o mesmo.