– Em algumas igrejas da China as boas-vindas aos novos crentes são dadas dizendo: “Jesus agora tem um novo par de olhos para ver, novos ouvidos para escutar, novas mãos com as quais ajudar e um novo coração para amar os outros”.
– A saudação evidencia que nós fomos salvos para servir no Reino e não para sermos seus expectadores.
– Pedro, inspirado pelo Espírito, sinalizou em nosso texto que “o fim de todas as coisas”, ou seja, a volta de Jesus se aproximava (v. 7), por isso a melhor maneira para vivermos até lá é através de uma postura “criteriosa” (“sensata e lúcida”) e “sóbria” (“capacidade de estabelecer julgamentos corretos”), postura que se expressa através de um SERVIÇO QUALIFICADO.
– Quais são os sinais desta qualificação?

SERVIÇO AMOROSO (v. 8) 
– Russel Shedd, com sua peculiar sabedoria, afirmou que “o amor é para a comunhão do povo de Deus o que o óleo é para o motor: a fricção num motor ligado logo o destruirá; assim será fragmentada a comunidade pelo atrito sem amor, produzido por um espírito que não perdoa”. Serviço sem amor nada mais é do que um ativismo formal, frio, vazio, inócuo e sem qualquer valor diante de Deus. 
– O amor deve ser prioritário (“acima de tudo”) e intenso, pois só assim ele trará qualificação da nossa vivência comunitária (“cobre multidão de pecados”), pois nos assemelhará ao Deus que é amor. 
SERVIÇO EXPONTÃNEO (V. 9) 
– a qualidade do serviço da Igreja deve ser aferida de forma objetiva por sua capacidade de hospedar liberalmente, vivenciando com prazer esta prática claramente recomendada nas Escrituras (Rom 12:13; I Tm 5:10 e Hb 13:2).
– Hospitalidade rima com proximidade que estimula o aperfeiçoamento de alianças relacionais que frutificarão em salvação e edificação de vidas para o Reino de Deus.
SERVIÇO RECÍPROCO (v. 10 “servi uns aos outros…”) 
– o serviço do Reino não é uma ordem para poucos abnegados, mas para todos os que creram em Jesus pois assim como Ele “não veio para ser servido mas para servir” (Mc 10:45), nosso propósito de vida se plenifica quando percebemos efetivamente que cada carência específica do próximo é na verdade uma oportunidade divina para suprirmos em amor a sua necessidade.
–  A Igreja, assim, é uma comunidade diaconal (serva) que parte do pressuposto de que a bem-aventurança maior está no dar e não no receber (At 20:35).
SERVIÇO ESPECÍFICO (v. 10 “cada um conforme o dom que recebeu”) 
– Pedro lembra que cada crente recebeu um dom (habilitação específica para cumprir uma missão específica planejada por Deus), por issó pode experimentar eficiência se mantiver-se dentro deste limite ministerial.
– A Igreja é uma comunidade de especialistas e não de polivalentes, unidos no propósito comum de promover a edificação de todo o seu corpo (Ef 4:12).
– A ignorância desta visão, segundo o pastor argentino Juan Carlos Ortiz, é hoje um dos grandes problemas da Igreja.
– O desafio do passado continua para nós hoje: precisamos no serviço do Reino de “pessoas certas, nos lugares certos, pelas razões certas”.
SERVIÇO GRACIOSO (v. 10) “como bons despenseiros da multiforme graça de Deus”) 
– O crente que serve exercitando o seu dom específico é um “despenseiro” (“mordomo, administrador, encarregado do suprimento de necessidades”).
– Sua ação no Reino consiste essencialmente em partilhar da “multiforme graça de Deus” – uma graça que manifesta-se diferentemente, abrangentemente, eficientemente e oportunamente através de sua expressão humana que é o dom (Ef 4:7-11).
– Para que aconteça na Igreja a plenificação desta graça é necessário que todos nós sejamos “bons despenseiros”, ou seja, eficientes no partilhar específico da graça específica à pessoa específica na hora específica… 
– A ministração do Reino, assim, não se dá centralizadamente através de “super-crentes”, mas descentralizadamente pelo uso de todos os que já entraram no Reino (ver estudo anterior…).
CONCLUSÃO:
– Pedro lembra no verso 11 que este serviço qualificado pressupõe uma comunicação coerente com a Palavra de Deus e uma ação baseada exclusivamente nos recursos de Deus, sem fazer dela um instrumento de dominação e projeção pessoal, tendo como único foco a glorificação de Jesus. 
– AVALIE COM SINCERIDADE: você já está engajado no serviço do Reino ou é apenas um mero observador? 
– Você está fazendo no Reino exatamente aquilo que Deus determinou que você fizesse? Você tem feito movido por amor ou por orgulho?
–  Você está retendo a graça ou partilhando a graça?…. 
– Que Deus a cada dia faça de você um servo qualificado é a minha oração. No amor de Jesus que nos chama para a Sua obra.

Pr. J.F.Macedo