O ser humano tem um longo caminho a percorrer rumo à maturidade cristã.
O relacionamento entre Jesus e Pedro  um exemplo dessa questão e nos traz alguns ensinamentos.

Toda pessoa, depois que aceita a Jesus como único e suficiente salvador e Senhor, é chamada a chegar até “à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo”, Ef 4: 13. Isso não é questão de opção. O relacionamento entre Jesus e Pedro é um exemplo desse fato e nos traz alguns ensinamentos.

Mundo interior:
caminho para crescimento

Você já se sentiu ferido pelo Senhor? Deus já tocou no ponto onde você é mais sensível? No caso de Pedro: “pela terceira vez Jesus lhe perguntou: Tu me amas?”, Jo 21: 17. Entristecido, começou a perceber que, bem no seu íntimo, era dedicado a Jesus. Começou a compreender o que significava aquele paciente interrogatório. Em sua mente não restava a mais leve sombra de ilusão; não havia mais lugar para pronunciamentos veementes, nem para júbilo ou emoções. As perguntas o levaram a perceber o quanto ele amava ao Senhor e, com espanto, disse: “Senhor, tu sabes todas as coisas”.

Pedro conscientizou-se de que amava muito a Jesus. Ele não disse: “Olha para isto ou aquilo para teres certeza de que te amo”. Não! Ele descobriu a dimensão de seu amor pelo Senhor; sentiu que nem nos céus nem sobre a terra havia alguém além de Jesus Cristo. Mas só percebeu isso quando o Senhor o sondou com suas perguntas dolorosas. As perguntas do Senhor sempre revelam quem somos a nós mesmos: “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração, prova-me e conhece os meus pensamentos; vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno”, Sl 139: 23-24.

Que paciente franqueza, que habilidade, pois o Senhor só faz perguntas certas e na hora certa. É provável que, pelo menos uma vez, Ele nos coloque num canto e toque na ferida com suas perguntas diretas e, então, percebemos que O amamos muito mais profundamente do que saberíamos expressar com palavras.


Realidade exterior:
a busca sem trégua por maturidade

Nossas ações diárias são exteriorizações de nossos desejos interiores. Jesus disse a Pedro: “apascenta as minhas ovelhas”, Jo 21: 17. Isso exigiria que Pedro colocasse em prática aquilo que já estava em seu coração. Isso é o amor em desenvolvimento. Quando recebemos o Espírito Santo, ele nos unge de maneira que Seu amor seja manifesto em nós, mas a união da alma a Deus, através da habitação do Espírito Santo, não é o objetivo final. O objetivo é que possamos ser um com o Pai como Jesus o foi. Que espécie de união tinha Jesus Cristo com o Pai? Uma união tal que o Pai o enviou a terra para que se desse por nós. Ele diz: “assim como o Pai me enviou, eu também vos envio”.

Pedro descobre, agora, com a revelação do penoso interrogatório, que ele ama a Cristo. Depois, então, vem o ponto mais importante: “prove esse amor”. Não testifique do quanto você me ama, não fale da maravilhosa revelação que teve, mas: “apascenta as minhas ovelhas”. E Jesus tem certas ovelhas bastante estranhas: algumas se apresentam sujas, outras são desajeitadas, outras briguentas, e outras se transviaram.

É impossível exaurir-se o amor de Deus. E é impossível esse amor esgotar em mim, se ele brotar dessa fonte única. O amor de Deus não fez acepções que o amor natural faz. Se amo ao Senhor, não tenho nada que ser guiado pelo temperamento natural; tenho de apascentar suas ovelhas. Não há tréguas nem descanso nessa missão. Mas devo ter cuidado para não falsificar o amor de Deus, atuando de acordo com a compaixão humana natural, porque isso acaba tornando-se blasfêmia contra o amor de Deus.

 
    
Crença cristã:
Deus nunca falha

Os princípios básicos do Cristianismo formam a alicerce daquilo que o cristão precisa acreditar para ser um filho de Deus. Jesus disse a Pedro: “Em verdade, em verdade te digo que, quando eras mais moço, tu te cingias a ti mesmo e andavas por onde querias; quando, porém, fores velho, estenderás as mãos, e outro te cingirá e te levará para onde não queres”, Jo 21: 18. Mesmo diante dessa situação futura, Pedro tinha de acreditar que Deus jamais o abandonaria.

A Bíblia diz: “de maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei”, Hb 13: 5. Diante dessa afirmação, que rumo toma o pensamento do cristão nos momentos de crises? Será que se volta para o que Deus diz ou vai para os problemas que teme? Depois de vivenciar a palavra divina, o crente estará usando a linguagem bíblica e afirmará com confiança: “o Senhor é o meu auxilio, não temerei; que me poderá fazer o homem?”. Apesar de todo o pecado, egoísmo, obstinação e caprichos humanos, pela graça, o Senhor jamais falhará com os seus.

O cristão, porém, precisa abrir bem o ouvido do coração para a Palavra de Deus. Às vezes, os problemas da vida fazem o crente pensar que Deus o abandonou. Também quando não há nenhuma “montanha” da dificuldade a ser escalada, nenhuma visão recebida, nada de maravilhoso ou de belo, apenas a rotina do dia a dia, parece que o crente dá uma esfriada espiritualmente e não consegue ouvir essa afirmação de Deus. Mas, à medida que avança na graça, descobre que Ele sustenta, fortalece e ensina seus filhos a reconhecer as vitórias e a louvá-lo, mesmo nos dias difíceis ou nas situações mais comuns.


Assim sendo…

O episódio entre Pedro e Jesus nos ensina que a maturidade cristã e o crescimento segundo a estatura de Cristo são possíveis. Mas o cristão precisa aprender com os ensinamentos dos momentos de crises e de problemas. Eles não são utilizados por Deus para complicar a vida do crente. Pelo contrário, o Senhor quer ensinar quem somos e o que devemos mudar para crescermos rumo à maturidade cristã.

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