Por que Jesus morreu? Quem foi o responsável por sua morte?
Texto: Mc 10.32-34
Introdução:
A crucificação
  • ·         Os responsáveis direto por sua morte foram os soldados romanos que executaram a sentença.
  • ·         Como era a crucificação: 1) o prisioneiro era despido e humilhado publicamente; 2) era forçado a deitar de costas no chão e suas mãos pregadas a cruz; 3) então a cruz era erguida e jogada num buraco escavado para ela no chão; 4) Aí ficava o crucificado pendurado, exposto a intensa dor física, ao rídico do povo, ao calor do dia e ao frio da noite.
  • ·         Como foi a execução de Jesus: Carregou a cruz; foi colocado uma coroa de espinho, uma capa vermelha e um caniço (“Rei dos judeus”); foi açoitado, cuspido e humilhado até chegar cruz e morrer.
Mas quem foi o responsável por esta execução?
1° Pilatos (Covardia)
  • ·         Pilatos era culpado (conforme está escrito no credo apostólico). “crucificado sob Pôncio Pilatos”.
  • ·         Pilatos foi um governador romano (esteve neste posto por 10 anos, 26-36 A.D.). Era um homem odiado pelos judeus. Roubou um dinheiro do Templo para construir aqueduto. Era um homem cruel e sanguinário. Seu objetivo: manter a lei e a ordem, conservar os judeus perturbadores sob controle, e ser implacável na supressão de qualquer tumulto ou motim (Lc 23.2).
  • ·         Pilatos estava convicto da inocência de Jesus (ele ficou impressionado com a nobre conduta, com o domínio próprio e a inocência política do prisioneiro).
  • ·         Ele declarou três vezes não achar culpa em Jesus (Lc 23.4; Jo 18.38);
·         Analisemos Lc 23.13-25.
  • ·         Pilatos, devido a convicção da inocência de Jesus, tentou 4 saídas:
1)      Ao ouvir que Jesus era da Galiléia, e, portanto, estar sob a jurisdição de Herodes, enviou-o para julgamento, esperando transferir a ele a responsabilidade da decisão (Herodes devolveu-o sem sentença);
2)      Ele tentou meias-medidas (ver Lc 23.16,22). Esperava que a multidão ficasse satisfeita com o castigo. Foi uma ação mesquinha, pois se Jesus era inocente, então deveria ser solto e não açoitado;
3)      Ele tentou fazer a escolha certa (soltar Jesus) com o motivo errado (pela escolha da multidão).
4)      Ele tentou protestar sua inocência. Tomando água, lavou as mãos na presença do povo, dizendo: “Estou inocente do sangue deste justo” (Mt 27.24).
·         Conclusão:É fácil culpar Pilatos por sua atitude, mas podemos perceber que fazemos as mesmas coisas. O grande pecado de Pilatos foi a sua covardia. Estava com o poder nas mãos para salvar o inocente, mas por querer agradar a todos acabou executando a sentença. Ele ficou “em cima do muro”, queria agradar a todos. Quantos de nós não somos assim. Queremos servir a dois senhores, ou seja, a Deus e ao mundo. Somos santos na igreja, mas no mundo somos profanos. Foi este pecado de Pilatos que levou Cristo para a cruz.
 
2° Os sacerdotes (Inveja) – povo judaico
  • ·         Não foi só o Pilatos o responsável pela execução de Jesus. Só aconteceu isso porque os sacerdotes o levaram a Pilatos.
  • ·         Os sacerdotes que acusaram Jesus de ensino subversivo (perturbador) e que atiçaram a multidão para o levar a crucificação.
  • ·         Na verdade Jesus “perturbou” o ambiente judaico. Se dizia Rabi, mas não tinha credenciais para isso. Tinha um comportamento provocador ao se relacionar com gente de má fama e pecadoras, festejando em vez de jejuar e profanando o sábado por meio de curas. Combateu os fariseus chamando-os de hipócritas e criticou os anciãos de colocarem a tradição acima das Escrituras. O ponto-chave foi quando Jesus fez algumas afirmações insultantes (provocantes) se dizendo senhor do sábado, conhecer a Deus como seu Pai, até mesmo ser igual a Deus. Isso tudo serviu para os sacerdotes acusarem Jesus de blasfêmia.
  • ·         Na realidade o que motivou os sacerdotes a prenderem e hostilizarem a Jesus foi a inveja (Mt 27.18).
  • ·         O grande pecado dos sacerdotes era a inveja. Inveja é o lado inverso da moeda chamada orgulho de si mesmo (vaidade). “Ninguém que não tenha orgulho de si mesmo jamais terá inveja dos outros” (John Stott).
  • ·         Eles eram orgulhosos: racial, nacional, religiosa e moralmente orgulhosos. Por mais que tivessem argumentos políticos e teológicos contra Jesus foi a inveja que os levaram a condena-lo.
·         Conclusão:Quantos de nós não deixamos que o orgulho e a inveja nos domine. Foi por esse pecado que Satanás caiu. Muitas vezes invejamos o ministério do irmão, a sua casa, o seu salário, a sua família e etc.
3° Judas Iscariotes (Ganância)
  • ·         Antes mesmos de os sacerdotes entregarem Jesus a Pilatos, foi Judas que entregou Jesus aos sacerdotes. Essa entrega é chamada de “traição”.
  • ·         Judas teve grande responsabilidade na morte de Jesus. Apesar de que já estava pré-estabelecido ter um traidor sendo Judas ou não. Apesar também que Judas só fez o que fez depois que satanás entrou em seu coração para tal intento. Mas tudo isso não o isenta da responsabilidade que tinha.
·         Mc 14.21
  • ·         Quem foi Judas e qual o motivo de sua traição? Muitos acreditam que ele foi um zelote e que tinha se unido a Jesus e a seus seguidores na crença de que o movimento deles era de libertação nacional, mas que finalmente o traiu por causa da desilusão política (Iscariotes está ligado a “sicário” = assassino)
  • ·         Mas o Evangelho de João diz sobre o principal motivo da traição de Judas: ganância. Jo 12.1-8.
·         Conclusão:Não é por acaso  que Jesus nos diz que nos acautelemos de toda a cobiça, ou que Paulo declara que o amor do dinheiro é a raiz de todos os tipos de males. A ganância está presente na vida de muitas pessoas. Estão presas as coisas materiais e por elas fazem de tudo. A traição está ligada a ganância.
Conclusão:
            O Evangelho nos diz que a predição de Jesus sobre a sua morte estava certa. Primeiro Judas o entregou aos sacerdotes (por causa da ganância). A seguir, os sacerdotes o entregaram a Pilatos (por causa da inveja). Então Pilatos os entregou aos soldados (por causa da covardia), e eles o crucificaram.
            Talvez ao olhar este fato dizemos como Pilatos: “que mal fez ele”? É natural encontrarmos desculpas, mas na verdade além da culpa ser destes personagens, nós também temos a nossa parcela de culpa. Se tivéssemos no lugar deles farámos as mesmas coisas, ou melhor, nós fazemos as mesmas coisas quando deixamos com que a ganância, a inveja e a covardia se aposse de nossos corações (Hb 6.6).
            Embora Jesus tivesse sido levado a cruz pelo pecado humano, ele não morreu como um mártir. Pelo contrário, ele foi a cruz espontaneamente. Desde o seu ministério público ele se consagrou a este destino. (Gl 2.20; Rm 8.32)
            Devemos olhar para a cruz sob dois aspectos: humano e divino. No humano Jesus foi morto (Pela maldade humana – os pacados). No divino ele morreu voluntariamente para fazer a vontade do Pai.

 

Fonte: Daniel Stephen