Será?????
Demorei a me pronunciar sobre a onda de protestos por todo o Brasil, porque, para ser sincero, ainda estou tentando entendê-la! Aquilo que começou com uma luta do movimento Passe Livre, que luta não apenas pela redução das passagens de ônibus e melhores condições no transporte público, mas que também acredita na possibilidade da utilização gratuita do transporte público, de repente, foi ganhando cada vez mais adeptos e também mais reinvindicações. Parece que havia um grito sufocado na alma do brasileiro pelo modo como a política é praticada no Brasil. O discurso governamental é de que estamos com pleno emprego, oferece as mais variadas linhas de crédito, ajudas assistenciais, etc. Mas o que vimos nas ruas foram uma demonstração de insatisfação a política e as condições de vida no Brasil. Protestos de todos os tipos e temas estavam estampados nos cartazes: Educação, Saúde, Ética na Política, etc.
Contudo, à medida que os protestos foram ganhando corpo, percebi que suas intenções e organização foram se esvaziando. Assistindo a TV pude ver cartazes reivindicando “menos ar nos sacos de batatinhas”, gritos e vandalismos contra Redes de Comunicação que estavam cobrindo as manifestações (o

que pra mim é uma incoerência, já que, quem fala deseja ser ouvido), pessoas que quando entrevistadas pelos repórteres não sabiam sequer porque estavam ali, entre outras fanfarrices. O pior de tudo são os políticos populistas que aceitaram fazer mudanças no preço das passagens de ônibus sem propor uma mudança nas regalias usufruídas por políticos ou de uma reestruturação do Estado, mas sim, alegando a retirada de verbas de outras pastas ou criação de novos impostos, usando um termo da moda “esses não me representam”. O irônico é saber que tem gente comemorando isso! Tão irônico quanto à depredação que será reparada com os mesmos recursos dos nossos impostos.

Como professor, sempre critiquei a apatia, o hedonismo, a alienação, o consumismo e outros “ismos” dessa geração que aceitava tudo com passividade e parecia não se engajar nas grandes causas, dessa forma, vejo com alegria que “o menino acordou”. Nem mesmo o “Pão e Circo” (no caso, o futebol e as promessas de mais linhas de crédito) tradicional nas políticas públicas foram capazes de impedi-los. Agora o que me preocupa é a falta de propósitos claros em toda essa movimentação. Quais serão os próximos passos? Como será o comportamento nas próximas eleições? Haverá uma pressão para mudar a forma de como a política é praticada no Brasil? E nas nossas relações públicas diárias, seremos mais éticos? (vamos acabar com o jeitinho) Como pais e alunos, valorizaremos mais a educação? (respeitando a escola, os professores, o ambiente escolar, empenhando se nos estudos…), ou não passará de um evento, uma foto no Facebook, uma historinha para contar para os filhos?
Quem viver verá!