Estimados em Cristo Jesus, neste dia queremos meditar sobre tema da solidariedade humana. Até porque nós nos encontramos diversas vezes em situações onde precisamos tomar uma postura a fim de fazermos a diferença. A atitude egoísta ou o espírito de mesquinhêz, não contribuem nem para o nosso bem estar e muito menos para o outro. Somos confrontados pelo fato de sermos cristãos não somente pela sociedade que vivemos bem como pela nossa consciência e, acima de tudo, pela nossa formação cristã, ou seja, temos a ciência de que o próprio Deus requer de nós um espírito voluntário e solidário para com o outro.

Perguntaríamos, então, como encarar a solidariedade nos dias de hoje? Exatamente porque vivemos num mundo onde as injustiças sociais têm se alastrado de forma avassaladora, assustadora, colocando em situação de risco pessoas de todas as idades e classe sociais, ora como vítimas, ora como agentes da injustiça. E ninguém pode dizer com segurança que os pobres são injustiçados, que os ricos são vítimas ou outra coisa parecida.

Spurgeon, um grande pregador, dizia que a origem do mal está na sociedade. Basta modificar a sociedade, modifica-se o homem. Jesus já dizia o contrário: “a origem do mal está no coração do homem”. Portanto, o caos da sociedade, os problemas sociais existentes, os agentes do mal, das injustiças, etc, somos todos nós. Eu e você, com nossas atitudes temos contribuído para uma sociedade mais injusta. E é exatamente nós que fazemos a diferença, para o bem ou para o mal. Isso é possível e basta observarmos nossas atitudes, palavras e até omissões, até mesmo quando não denunciamos as injustiças contra o ser humano, contra as mulheres e contra as crianças.

As questões referente à injustiça estão cada vez mais evidentes e nos próximos meses, quando se iniciam novamente as campanhas eleitorais veremos as máscaras caindo (nada é mascarado). É um descaso com a saúde, educação que são básicos para o indivíduo. São denúncias de corrupção em todos os níveis. É, por assim dizer, o sujo falando do mal lavado. Os cinturões de pobreza já não existem em muitas cidades porque você tropeça nela no centro, na periferia, onde você estiver e, ao mesmo tempo, a discriminação, o medo, a angústia especialmente daqueles que têm mais posses levam todos aos seus carros blindados, ao reforço da grade na suas casas, medo de andar na rua e, assim por diante. Ou seja, vivemos num caos social.

Mas isso não é novidade prá gente. As injustiças sempre existiram. O dualismo justos e injustos sempre existia, desde os primórdios da humanidade. A Bíblia está cheia de exemplos. E eu nem reporto somente a questão rico e pobre porque o mal não escolhe posição social. Veja casos de injustiça com Caim e Abel, irmãos de José, Absalão, Davi, Amnon, Paulo, etc. Então, não é nenhuma novidade para nós tais atitudes.

Jesus sempre denunciou a injustiça. Ele próprio é o cumprimento da profecia de Isaias porque vivia, conforme Lc 4.18, 19: O Senhor me deu o seu Espírito. Ele me escolheu para levar boas notícias aos pobres e me enviou para anunciar a liberdade aos presos, dar vista aos cegos, libertar os que estão sendo oprimidos e anunciar que chegou o tempo em que o Senhor salvará o seu povo. O evangelho de hoje é um exemplo disso. Trata-se de um fato real, uma cura, mas o seu objetivo é ainda maior e mais profundo. As pessoas o admiravam pelo que o ouviam e presenciavam. Ao fazerem isso juntavam suas vozes em coro com o cântico do salmo 146 onde se ressalta a grandeza de Deus que faz tantas coisas em prol do indivíduo. Poderíamos dizer que neste salmo 146 temos uma visão social de Deus que não vê o homem somente como alma, mas também como corpo, na sua integralidade. A revelação dos versículos 7-9 é semelhante à descrição da obra do ES (Is 61.1-7) que, por sua vez, acha seu cumprimento total na missão do nosso Senhor Jesus (em Lc 4.16-19). Estes versículos apontam para o estrangeiro, viúvas e órfãos que ficavam à margem da sociedade, quase sem direitos civis.

Estas ou outras injustiças encontramos hoje e podem estar na nossa casa, nossa vila, nosso trabalho e em nossas igrejas. Como agir? Quais desafios temos e como encará-los? Não importa a situação, lembre-se: nós faremos a diferença e, para sermos bem mais práticos, sempre estamos desafiando a igreja enquanto grupo, a agir com ações que visem o bem estar do outro. O que podemos fazer enquanto igreja? (ver reações e possibilidades).

Assim como Jesus foi solidário e continua sendo ainda hoje, Ele nos inspira à solidariedade. É ele também que perdoa as nossas falhas e nos impulsiona a serví-lo. "Tudo o que fizerdes a um desses pequeninos, a mim o fizestes". Que ele nos impulsione ainda mais a sermos sensíveis às necessidades dos outros e favorecendo-lhes com nossas ações.

Pastor Waldyr Hoffmann