Texto Base: Gênesis 2. 18 – 25 e Marcos 10. 2 – 16

Introdução
Alguém de vocês tem algum problema de saúde? Qual? Alguns casos semelhantes, outros diferente.

Casos semelhantes. Há uma semelhança num mesmo problema: Pecado. Todos nós temos esse mesmo problema no coração. Pois Jesus disse: “Porque é do coração que vêm os maus pensamentos, os crimes de morte, os adultérios, as imoralidades sexuais, os roubos, as mentiras e as calúnias” (MT 15.19).

Do coração nascem todos os tipos de males – aliás, vale lembrar que Deus dá ao povo de Israel dois mandamentos que alertam sobre a cobiça. A cobiça nasce no coração, e desse desejo do coração parte para a ação e assim se causa muitos problemas. Por isso Tiago adverte: “Mas as pessoas são tentadas quando são atraídas e enganadas pelos seus próprios maus desejos. Então esses desejos fazem com que o pecado nasça, e o pecado, quando já está maduro, produz a morte” (Tg 1.14-15).

Estamos diante de uma triste constatação: todos nós estamos doentes do coração. Como disse Jesus: “…por causa da dureza do coração de vocês” (Mc 10.5). Por causa da dureza do nosso cora ção uma pergunta deixou de ser feita.

Uma pergunta que deixou de ser feita.

Jesus em sua missão neste mundo sempre foi questionado. E muitos dos questionamentos feitos a Jesus não tinham a intenção de aprendizagem, mas sim, como diz o próprio evangelista Marcos: “…conseguir uma prova contra ele,…” (Mc 10.2). Tendo esse objetivo em mente, só isso já mostra o grave problema no coração humano. Mas, a pergunta feita com um objetivo errado teve uma grande resposta. A pergunta feita foi: “De acordo com a nossa lei, um homem pode mandar a sua esposa embora?” (Mc 10.2b).

Mandar a sua esposa embora – em outras palavras. Pode separar-se por qualquer motivo? Tanto o objetivo da pergunta que era conseguir acusar Jesus de algum erro, bem como a pergunta em si, só revelam o grave problema no coração humano. Jesus responde: “…por causa da dureza do vosso coração”.

Devido a dureza do coração humano algumas perguntas deixaram de ser feitas. A que temos em nosso texto é uma das muitas. Um homem pode mandar a sua esposa embora? O que você acha de casa separa? Já pararam para pensar que o divórcio tem sido pouco questionado em nossos dias. Claro, a dureza do coração humano, ou o problema no coração humano está se deixando levar pela sua cobiça, seus desejos desenfreados. Divórcio, normal, não deu certo separa. É como se tudo fosse banal, simples.

Vamos um pouco além e entendamos as palavras de Jesus de outro ângulo. O ângulo que Jesus mesmo aponta: o paraíso. Jesus responde que no começo, na criação, Deus os fez homem e mulher. Vamos relembrar um pouco esse relato, Gn 2.18 – 25 (vamos ler).

Vamos destacar algumas coisas importantes: 1) – não é bom que o homem viva só; 2) – Deus providenciou uma auxiliadora que lhe seja idônea; 3) – formou a mulher da costela do homem; 4) – deixar pai e mãe; 5) – se unir a sua mulher; 6) – tornar-se os dois uma só carne; 7) – não havia vergonha entre eles;

O relato de Gn sobre o casamento realizado por Deus ali no paraíso. Aliás, a única coisa que o homem trouxe do paraíso foi o casamento. O casamento é um pedaço do paraíso deixado ao homem aqui no mundo. E quando o homem pela sua dureza do coração deixa de questionar sobre o divórcio e entra no oba-oba do mundo, esse pedaço do paraíso vem sendo destruído gradativamente.

Uma pergunta que deixou de ser feita em nossos dias. Deixou-se de falar sobre o divórcio.

Lá no paraíso, para onde Jesus aponta, é dito que Deus fez homem e mulher – sexualidade diferente e hormônios diferentes e os uniu. O verbo no hebraico para a palavra UNE/ UNIR/ UNIU é דבק / dabaq– ou seja, grudar, colar. Ex: Vejam aqui. Tenho duas folhas sulfites coladas. Duas folhas que agora são uma. Tentemos descolar essas folhas – elas rasgam.

Por isso diz Jesus em sua resposta aos fariseus: “Portanto, que ninguém separe o que Deus uniu” (Mc 10.9). Homem e mulher foram feitos para estar sempre juntos, permanecer um ao lado do outro, grudados, seguir perto.

Jesus em sua resposta ao apontar para o paraíso, está fazendo que todos os fariseus que além de terem um objetivo errado na pergunta, e até mesmo na sua maneira de viver, pois abandonavam suas mulheres por qualquer motivo, está mostrando que Deus fez homem e mulher para viverem juntos sempre. Mas a dureza do coração, o pecado, essa terrível doença que todos ser humano têm, é que está levando o homem a destruir as relações humanas, e até mesmo a relação matrimonial.

O divórcio em nenhuma circunstância é bom. Pois, olhem para o papel. Apontar o papel que tentamos separar. Vejam, ele ficaram destruídos. Assim é a separação – suas marcas ficam e feridas são abertas, traumas são instaurados em crianças, jovens e adultos.

A dureza do coração está levando os seres humanos a deixarem de fazer perguntas importantes. A dureza do coração está levando o homem a deixar de preservar o pedacinho do paraíso que Deus lhe permite ter aqui nesta vida. O homem por sua dureza de coração está se deixando levar por muitas tentações. Sei que todos nós, dia-a-dia somos tentados, mas o texto de Hebreus nos mostra um precioso auxilio: “E agora Jesus pode ajudar os que são tentados, pois ele mesmo foi tentado e sofreu” (Hb 2.18), segue ainda “O nosso Grande Sacerdote não é como aqueles que não são capazes de compreender as nossas fraquezas. Pelo contrário, temos um Grande Sacerdote que foi tentado do mesmo modo que nós, mas não pecou” (Hb 4.15), e esse Sacerdote, Jesus está do nosso lado, nos apoiando, auxiliando. Ele está presente na vida a dois, ajudando com sua Palavra e Sacramento para que o casal supere também a situação difícil pela qual vem passando, pois “Com a força que Cristo me dá, posso enfrentar qualquer situação” (Fp 4.13). Por isso, ao sinal de problemas na família, no casamento, a única coisa a não se fazer é abandonar a igreja, a pregação da palavra e o recebimento do corpo e sangue de Cristo.

Só Jesus é que mantêm unidos os casais – só com a força que ele dá se é capaz de superar as desavenças, os desentendimentos, as brigas. O perdão que Cristo adquiriu na cruz é importantíssimo no nosso casamento. Para isso o apostolo Paulo aponta quando escreveu aos Gálatas: “Mas o Espírito de Deus produz o amor…” (Gl 5.22), e desse amor provêm a alegria, paz, paciência, delicadeza, bondade, fidelidade, humildade e domínio próprio.

Para o coração humano em sua dureza – Deus dá o seu Espírito Santo. E cada pessoa batizada recebeu esse Espírito, e nesse Espírito a nossa vida precisa ser guiada. Paulo disse aos gálatas: “…
deixem que o Espírito de Deus dirija a vida de vocês e não obedeçam aos desejos da carne” (Gl 5.16). Lutar contra o pecado – pois mesmo tendo o Espírito Santo em nós e mesmo como novas criaturas, somos ainda pecadores, Paulo diz isso aos Romanos: “Pois eu sei que aquilo que é bom não vive em mim, isto é, na minha natureza humana. Porque, mesmo tendo dentro de mim a vontade de fazer o bem, eu não consigo fazê-lo. Pois não faço o bem que quero, mas justamente o mal que não quero fazer é que eu faço. Mas, se faço o que não quero, já não sou eu quem faz isso, mas o pecado que vive em mim é que faz. Assim eu sei o que acontece comigo é isto: quando quero fazer o que é bom, só consigo fazer o que é mau” (Rm 7.18-21). E devido a essa natureza pecaminosa precisamos sempre nos arrepender verdadeiramente, nos alimentar na Palavra, no Corpo e Sangue, e pedir que Deus aumente a nossa fé, e que não retires de nós o seu Espírito Santo, pois só em Cristo, olhando firmes para Cristo é que nós podemos continuar nossa vida a dois. Amém!

Conclusão

Uma pergunta que deixou de ser feita.

Pergunta muito séria, mas, quando for feita saibamos nós a resposta. E Deus em Cristo Jesus está e irá manter cada casal unido. E aos casais que estão passando por dificuldades e se estão sendo tentados a se separar saibam que Cristo está lhes oferecendo forças, perdão para que resolvam a questão e que se mantenham unidos, assim como Jesus veio nos unir ao Pai. Amém!

Pr. Edson Ronaldo Tressmann – Alto Alegre Dos Parecis – RO