O famoso pregador inglês examina esse tema ainda hoje problemático. Da sua vasta experiência pastoral Spurgeon nos apresenta algumas respostas esclarecedoras para todos quantos estão considerando este assunto.
1. O primeiro sinal da vocação celeste é um desejo intenso e absorvente de realizar a obra.
Para se constatar um verdadeiro chamamento para o ministério é preciso que haja uma irresistível, insopitável, ardente e violenta sede de contar aos outros o que Deus fez por nossas almas.
A Palavra de Deus deve ser como fogo em nossos ossos, do contrário, se nos aventurarmos no ministério, seremos infelizes nisso, seremos incapazes de suportar as diversas formas de abnegação que lhe são próprias, e prestaremos pouco serviço àqueles aos quais ministramos. Falo de formas de abnegação, e digo bem, pois o trabalho do verdadeiro pastor está repleto delas, e, se não amar a sua vocação, logo sucumbirá ou desistirá da luta, ou prosseguirá descontente, sob o peso de uma monotonia tão fastidiosa como a de um cavalo cego girando um moinho.
2. Em segundo lugar, é preciso que haja aptidão para ensinar e certa medida das outras qualidades necessárias ao ofício de instrutor público.
Se um homem for vocacionado para pregar, será dotado de capacidade em algum grau para falar, capacidade que ele cultivará e desenvolverá. Se o dom de elocução não existir no início em alguma medida, não é provável que venha a desenvolver-se.
Este ponto não estará completo se eu não acrescentar que a simples capacidade para edificar e a aptidão para ensinar não bastam. São necessários outros talentos para completar a personalidade do pastor. Critério sadio e sólida experiência devem instruí-lo; maneiras gentis e qualidades amáveis devem governá-lo; firmeza e coragem devem ser manifestas; e não devem faltar ternura e simpatia.
Leiam cuidadosamente as qualificações do bispo, registradas em 1 Tm. 3:2-7 e Tt. 1:6-9. Se esses dons e graças não estiverem em vocês, e com abundância, é possível que tenham bom êxito como evangelistas, mas como pastores não terão nenhum valor.
3. É preciso que o aspirante veja realizar-se certo número de conversões sob os seus esforços.
Pode ocorrer que um homem tenha uma vida inteira de provação, se se sentir chamado para tanto, mas a mim me parece que quando alguém for separado para o ministério, seu comissionamento estará sem selos enquanto almas não forem ganhas por sua instrumentalidade para o conhecimento de Jesus.
Como são enviados de Deus os que não trazem homens a Deus? Profetas cujas palavras são vazias de poder, semeadores cujas sementes fenecem todas, pescadores que não pegam peixes, soldados que não ferem — são homens de Deus, estes? Certamente melhor seria trabalhar como lixeiro ou limpador de chaminé, do que ficar no ministério como uma árvore completamente estéril.
O infeliz que ocupa um púlpito e nunca glorifica o seu Deus com conversões, é um vazio, uma nódoa, uma feiura, uma injúria. Não vale o sal que come, muito menos o pão.
4. É necessário, como prova da sua vocação, que a sua pregação seja aceitável ao povo de Deus.
Deus normalmente abre as portas da elocução para aqueles que Ele chama para falarem em Seu nome. A impaciência forçaria a abertura da porta, ou a poria abaixo, mas a fé espera no Senhor, e na ocasião devida ela recebe o prêmio da oportunidade.
Os sinais e marcas do verdadeiro bispo estão registrados na Palavra para orientação da Igreja; e se ao seguir essa orientação os irmãos não virem em nós as qualidades requeridas, e não nos elegerem para o ofício, ficará bastante claro que por melhor que possamos evangelizar, o ofício de pastor não é para nós.
Não corram por todo lado, pedindo para pregar aqui e ali. Preocupem--se mais com a sua capacidade do que com a sua oportunidade, e sejam mais zelosos quanto a andar com Deus do que com qualquer outra coisa.
Fonte: O CHAMADO PARA O MINISTÉRIO - Charles Haddon Spurgeon
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